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  1. Fazer mil quilómetros com uma carga de nove minutos: a China mais à frente nos carros eléctricos

    12H AGO

    Fazer mil quilómetros com uma carga de nove minutos: a China mais à frente nos carros eléctricos

    A BYD apresentou uma bateria que em nove minutos pode ser carregada para permitir uma viagem de 1000 quilómetros. Os que, naturalmente, se assustam com o cenário das grandes filas de carros eléctricos nas estações de serviço nos dias de maior tráfego, podem respirar de alívio. Em pouco mais tempo do que se gasta a encher um depósito de gasolina, em breve será possível carregar uma bateria e viajar de Caminha a Tavira sem ter o incómodo de parar por falta de energia. O novo paradigma da BYD reforça a vanguarda da China na indústria dos carros eléctricos – como aliás acontece em segmentos das energias renováveis. Note-se: não estamos a falar da liderança de uma indústria menor, como aconteceu nos primórdios da fábrica do mundo com materiais baratos e de duvidosa qualidade. Estamos sim a falar de uma das mais importantes indústrias do mundo que, desde o princípio deste ano, passou para o controlo da China. A BYD já ultrapassou as vendas da Tesla e é hoje o maior construtor mundial de carros eléctricos. Pelo preço? Nem tanto. Os especialistas reconhecem que os chineses são os donos da melhor e mais avançada tecnologia. Tudo terá começado em 2007, há menos de 20 anos portanto, sob a égide do ministro Wan Gang – um engenheiro formado na Alemanha que se tornou ministro da Ciência e do Comércio. Em 2010, a China tinha um plano em marcha que envolveu quantidades gigantes de dinheiro público. O acesso a matérias-primas e a existência de redes complexas de abastecimento e de mão-de-obra qualificada, fizeram o resto. Em meia dúzia de anos a China bateu aos pontos a Europa e os Estados Unidos e dispõe hoje de uma ampla vantagem. O anúncio da nova bateria da BYD é disso prova cabal. O que aconteceu e o que podemos esperar desta reconfirmação da liderança chinesa? Vamos fazer perguntas destas a Sérgio Magno, jornalista especializado em tecnologia e editor da secção ENTER, no PÚBLICO. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  2. Nada de novo: mudanças no Código do Trabalho continuam encalhadas

    1D AGO

    Nada de novo: mudanças no Código do Trabalho continuam encalhadas

    Na tarde desta segunda-feira, depois de quatro horas de reunião entre patrões, sindicatos e ministra do Trabalho, Francisco Calheiros, da Confederação do Turismo de Portugal, repetiu o que se tem ouvido uma e outra vez nas últimas semanas: não há acordo para as mudanças propostas pelo Governo ao Código do Trabalho. Os intervenientes na negociação lá foram dizendo que houve mais flexibilidade na análise das propostas, que se evoluiu em algumas, mas, no essencial, tudo continua como antes: o Anteprojecto Trabalho XXI continua encalhado. Apresentado em Julho do ano passado, o projecto do Governo é ambicioso: estão em causa mais de 100 alterações ao Código do Trabalho, dos despedimentos sem justa causa em empresas com mais de cinco trabalhadores ao alargamento dos prazos dos contratos, dos serviços mínimos em caso de greve à parentalidade ou ao banco de horas. Pelo meio, houve quase meia centena de reuniões e os pontos de discórdia resumem-se hoje a pouco mais de uma dezena de alterações. Que para o Governo são traves mestras, sem as quais o edifício legislativo desaba. Para a UGT, continua a haver linhas vermelhas insusceptíveis de negociação. A longa caminhada destas alterações vai continuar com uma nova reunião entre as partes – da qual, em princípio, a CGTP continuará a não participar. O Governo não quer eternizar a discussão, mas o novo presidente faz da negociação uma obrigação de todas as partes. No vai não vai do debate, quisemos saber como Manuel Carvalho da Silva analisa a proposta do Governo, o processo negocial e, também, como podemos inserir o que está em causa na linha do tempo da história recente do país. Figura incontornável do sindicalismo português, Manuel Carvalho da Silva foi presidente da CGTP entre 1987 e 2012. Licenciou-se em sociologia em 2000 e doutorou-se no ISCTE, sete anos mais tarde, com a tese A centralidade do trabalho e acção colectiva. Sindicalismo em tempo de globalização. É também coordenador do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Protecção Social (CoLABOR). See omnystudio.com/listener for privacy information.

    20 min
  3. Quem decide quando acaba a guerra no Irão?

    2D AGO

    Quem decide quando acaba a guerra no Irão?

    O preço mundial do petróleo subiu na sexta-feira. Para tentar baixar o preço, os EUA aliviaram as sanções sobre países que comprem petróleo e produtos petrolíferos russos. A União Europeia classificou a decisão como “muito preocupante”. A Rússia agradece, pois pode vender cerca de 100 milhões de barris de petróleo actualmente em trânsito. Afinal, o que era uma “pequena excursão”, na expressão de Donald Trump, arrisca-se a ser a maior crise energética da história. O ataque ao Irão revelou-se um ataque à “economia mundial”, como lhe chamou a Economist. Trump foi eleito para acabar com as guerras e baixar a inflação, mas o que está a acontecer é o contrário. Os EUA terão gastado cerca de 11 mil milhões de euros, só nos primeiros seis dias, diz a CNN. Trump já disse que a guerra ia acabar em breve. Israel envolveu-se numa nova frente de guerra no Líbano e o Irão promete não desistir. Mojtaba Khamenei, o novo ayatollah, prometeu, na sua primeira declaração pública, a “vingança dos mártires”. Por outro lado, o presidente iraniano diz que a “única maneira de acabar com esta guerra “é reconhecer os direitos legítimos do Irão, pagar reparações e obter firmes garantias internacionais contra futuras agressões”. Quem decide quando acabará esta guerra? Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense e investigador do IPRI, é o convidado deste episódio. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    20 min
  4. Em caso de colapso económico, o regime de Cuba vai afundar ou sobreviver?

    6D AGO

    Em caso de colapso económico, o regime de Cuba vai afundar ou sobreviver?

    Cuba está sujeita ao embargo dos EUA há mais de 60 anos e desde o rapto de Nicólas Maduro que deixou de receber petróleo venezuelano. A economia da ilha depende, na sua quase totalidade, da energia externa e está perto do colapso. Os apagões são constantes, cada vez mais prolongados e regulares, os transportes são raros, cresce a inflação e a escassez de alimentos. A população tem recorrido a painéis solares para enfrentar a falta de combustível e permitir que o comércio e a vida prossigam. Esta semana, o Governo dos EUA afirmou que o petróleo de origem venezuelana pode ser revendido e transportado para Cuba, desde que essas transacções não beneficiem o regime. E, na semana passada, quatro pessoas morreram, pelo menos, numa troca de tiros com a guarda costeira cubana, quando uma lancha rápida, baseada na Flórida, entrou nas águas territoriais do país. O que irão fazer os EUA com Cuba? O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de cubanos exilados na Flórida nos anos 50, não esconde as suas pretensões de mudar os regimes comunistas sul-americanos. Aparentemente, Rubio estará em negociações com um “herdeiro” do regime, entre aspas, Raúl Guillermo Castro, que é neto e cuidador de Raúl Castro, que sucedeu na presidência ao seu irmão Fidel, o líder histórico da revolução cubana. Estes são os temas de conversa com a convidada do episódio de hoje, Carmen Fonseca, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigadora em análise de política externa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    19 min
  5. Ou a guerra acaba agora ou vai ser tudo mais caro

    MAR 11

    Ou a guerra acaba agora ou vai ser tudo mais caro

    O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a guerra com o Irão, praticamente, acabou. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz que a guerra “não terminou” e o Irão diz que a guerra continuará “enquanto for necessário”. Em que ficamos? Mojtaba Khamenei foi escolhido como guia supremo do Irão e a escolha não agradou a Trump. O filho de Ali Khamenei não tem experiência governativa nem grande intervenção pública. Mas é crítico do Ocidente e tem influência dentro do aparelho de segurança. O presidente dos Estados Unidos diz que a escolha vai “trazer os mesmos problemas” e preferia, claro está, uma solução semelhante à da Venezuela. Só que não há uma Delcy Rodríguez no Irão. A escalada da guerra, com o petróleo acima dos cem dólares por barril, e o impacto que isso implica nos preços em geral, penaliza o custo do dinheiro para quem tem empréstimos. A Euribor a 12 meses está perto dos 2,4% e ameaça agravar a prestação dos contratos a rever em Abril. Em Portugal, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, admite que o Governo não “exclui situações de défice, se as circunstâncias assim o impuserem”, devido ao impacto das tempestades e os efeitos da guerra no Médio Oriente. O convidado deste episódio, João Carvalho, director do Departamento de Economia e Gestão da Universidade Portucalense, prevê a subida de todos os preços se a guerra não acabar nos próximos dias. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    16 min
  6. A IA vai substituir os humanos na guerra do futuro?

    MAR 10

    A IA vai substituir os humanos na guerra do futuro?

    A Inteligência Artificial já estava a ser utilizada por Israel para comandar drones ou disparar armas, mas os EUA estrearam no Irão novas ferramentas de ataque. A Anthropic, autora do modelo de inteligência artificial generativa Claude, não permitiu que o Pentágono utilizasse a sua tecnologia para a vigilância em massa de cidadãos e para matar pessoas sem envolvimento humano. Donald Trump retaliou e quer classificar a Anthropic como um fornecedor de risco, algo que é atribuído, regra geral, a empresas chinesas, e disse ser uma empresa esquerdista e woke. No final, optou pela concorrente, a OpenAI. A China pede às suas empresas de IA que desenvolvam ferramentas de desinformação e tem usado estes grandes modelos de linguagem para identificar dissidentes, que é um dos cenários que a Anthropic quer evitar. Como se escrevia num editorial do El Pais na semana passada, o “choque da empresa Anthropic com o Pentágono demonstra que Trump prefere uma inteligência artificial sem escrúpulos”. A delegação da decisão de matar uma pessoa num sistema controlado por algoritmos de IA coloca questões éticas fundamentais sobre responsabilidade, proporcionalidade e distinção entre combatentes e civis, escreveu no PÚBLICO Arlindo Oliveira. Colunista do Público, professor do Instituto Superior Técnico e presidente do INESC, Arlindo Oliveira é o convidado deste episódio. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    18 min
  7. Sai o “presidente dos afectos”, entra o "presidente previsível”

    MAR 9

    Sai o “presidente dos afectos”, entra o "presidente previsível”

    Umas vezes, Marcelo Rebelo de Sousa foi feliz e sabia disso. Outras, terá sido feliz, mas sem o saber. O 20.º Presidente da República será recordado como o presidente dos afectos, das selfies e da proximidade. Marcelo terminou os dois mandatos como Presidente da República, retomando a proximidade com a população, na sequência da calamidade provocada pelas tempestades e cheias. Esse foi o seu estilo predominante, que contrastou largamente com o estilo do antecessor e que não será seguido pelo sucessor, certamente. Essa proximidade e interesse pelas pessoas conduziu-o a um dos momentos que marcaram o seu segundo mandato e que ficou para a História como o “caso das gémeas”. Mas Marcelo será também recordado como o presidente da instabilidade política, do recorde de dissoluções parlamentares. Há quem o acuse de banalização institucional da presidência, devido aos seus comentários constantes sobre tudo e sobre todos. O fim da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa é a conclusão de um ciclo político. O Palácio de Belém tinha sido até aqui ocupado por presidentes que participaram na transição para a democracia. Ora, não é esse o perfil de António José Seguro, que hoje toma posse como Presidente da República. Qual foi o principal legado de Marcelo e que esperar de Seguro, para além da sua previsibilidade? David Santiago, editor da secção de Política do PÚBLICO, responde a estas e outras questões. See omnystudio.com/listener for privacy information.

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