Esporte em foco

Notícias e entrevistas sobre futebol, tênis, vôlei, Fórmula 1... Espaço aberto para a cobertura exclusiva dos grandes torneios franceses e europeus. Destaque para a atuação dos atletas brasileiros na Europa.

  1. 1 day ago

    Roland-Garros 2026 marca melhor campanha do Brasil em Grand Slams

    Depois de duas semanas de jogos, o torneio de Roland-Garros chega ao fim neste domingo (7) com uma edição que já entra para a história do tênis brasileiro. Em 2026, o país alcançou seu maior número de vitórias em um único Grand Slam: 37 triunfos, superando as 26 conquistas do US Open de 2014. O desempenho se distribuiu entre simples, duplas, juvenil e cadeirantes e reflete um momento de renovação e consistência, coroado com o título de Luis Guto Miguel no torneio juvenil. Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros O grande destaque foi o jovem João Fonseca. Aos 19 anos, o carioca chegou às quartas de final e alcançou o melhor resultado recente de um brasileiro no torneio, algo que não acontecia nas fases mais altas da competição desde a era de Gustavo Kuerten. O tricampeão de Roland-Garros, inclusive, esteve presente em Paris para acompanhar e apoiar a nova promessa. Fonseca também protagonizou uma das maiores surpresas da edição ao eliminar, de virada, o sérvio Novak Djokovic, maior campeão de Grand Slams da história. Na sequência, superou o norueguês Casper Ruud, duas vezes finalista em Paris. Após a eliminação para o tcheco Jakub Mensik, o brasileiro avaliou de forma positiva a campanha e destacou o aprendizado ao longo do torneio. “Eu me sinto bem. Foi um caminho muito bom. Duas semanas muito positivas, de muito trabalho duro e aprendizado. Eu não tinha expectativa e consegui um ótimo resultado. Consegui virar um jogo que estava quase perdido, totalmente dominado na segunda rodada… então fico feliz com a semana.” A campanha projeta João Fonseca no cenário internacional e recoloca o Brasil em evidência no tênis masculino. No simples feminino, no entanto, o resultado ficou abaixo do esperado. Principal nome do país, Beatriz Haddad Maia foi eliminada ainda na primeira rodada, após derrota de virada para a britânica Francesca Jones. Stefani perde na semifinal Nas duplas, o desempenho brasileiro foi mais consistente. A paulista Luisa Stefani chegou às semifinais ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, confirmando sua regularidade entre as principais especialistas do circuito.  Na sexta-feira (5) elas foram derrotadas pela dupla formada pela tcheca Katerina Siniakova e a americana Taylor Townsend. Em entrevista à RFI após o jogo, Stefani analisou a derrota. “Ontem à noite, eu tive dor de garganta, dor de cabeça. A energia talvez não seja a mesma, mas isso não justifica. O que mais me chateia é que eu queria ter tido mais disposição, uma execução melhor e ter enfrentado melhor essa dificuldade”, disse. “É uma pena. Parece uma oportunidade desperdiçada", continuou. "Uma semifinal é sempre uma boa campanha, mas, conforme o torneio vai afunilando, o desafio fica cada vez maior. Então, é preciso manter o foco no que a gente vem fazendo bem, executar, e isso faltou hoje”, concluiu.    Entre os homens, o gaúcho Marcelo Demoliner avançou até as quartas de final nas duplas, ao lado do indiano N. Sriram Balaji, reforçando a presença brasileira nas fases decisivas. Ao fim da campanha, ele destacou a confiança adquirida. “Feliz com a participação nas quartas de final inédita, que vai dar uma confiança boa para o decorrer da temporada. Agora é aproveitar essa confiança e ir para a grama, na próxima semana, que é o meu habitat natural, onde eu mais gosto de jogar.” Torcedores marcaram presença Fora das quadras, a presença brasileira também chamou atenção. Durante as duas semanas de competição, torcedores com as cores verde e amarelo ocuparam o complexo esportivo na zona oeste de Paris. O engenheiro civil Carlos Frazão se mostrou impressionado com a nova geração de atletas. “Pois é, muita gente boa nova surgindo no tênis. Acho que o João Fonseca ajudou muito essa nova geração a aparecer. A gente está torcendo para surgirem muitos novos ‘Joões Fonsecas’.” A avaliação se repete entre outros torcedores. Para o administrador Cristiano França, nunca houve uma presença tão expressiva de brasileiros no torneio. “A nova geração… nunca vi tanto brasileiro em Roland-Garros. Depois do Gustavo Kuerten, agora estamos vendo muito mais brasileiros e espero que continue assim”, disse à RFI. Nova geração: Luis Guto é campeão Essa presença se reflete também entre os mais jovens. Naná, Victoria e Pedro estão entre alguns dos jovens nomes que se destacaram. Mas a grande estrela foi o goiano Luis Guto Miguel, que aos 17 anos, venceu a sua primeira final de Grand Slam. ele derrotou o americano Michael Antonius, de 16 anos, por dois a zero, com parciais de 6/3 e 6/4. “Estou muito feliz, aproveitando o momento, mas mantendo a humildade, porque temos muito a fazer”, afirmou na entrevista coletiva após o título inédito. De Paris, Luís volta ao Brasil, onde deve continuar a celebrar sua conquista, mas já com o foco voltado para os próximos passos de sua promissora carreira. “Seria um sonho voltar aqui no ano que vem jogando como profissional, mas, como eu falei, é preciso colocar muito trabalho duro, manter os pés no chão, aproveitar o momento agora, mas viver tudo passo a passo dessa trajetória, porque essa transição não é fácil. Trabalho duro é a chave do processo”, insiste. Ele tem consciência de que sua conquista deve inspirar outros jovens tenistas, mas seu recado é firme e direto: “Eu acho que estou mostrando para a galera mais jovem brasileira que é possível trabalhar duro, acreditar no processo e nos treinadores”, afirma. Em entrevista à RFI, no sábado, declarou: "É um sonho, porque desde pequeno eu sonhava em estar jogando nestas quadras. Agora já sou número 1 do ranking mundial, então é muita coisa acontecendo".  Na semifinal, Luis Guto derrotou o conterrâneo e amigo, Leonardo França, outra bela supresa do torneio júnior. “Saio de cabeça erguida, em todos os jogos entreguei o meu melhor”, avaliou o tenista.  A gaúcha Pietra Rivoli, de 18 anos, é outro exemplo dessa nova leva. Ela destacou o impacto de conviver de perto com grandes nomes do circuito. “Estar perto da Sabalenka, da Osaka, do João… ver o que eles fazem dentro e fora da quadra é muito inspirador. Jogar em uma Phelippe-Chatrier lotada faz a gente querer trabalhar ainda mais para chegar lá um dia”, disse em entrevista à RFI. No balanço geral, Roland-Garros 2026 consolida uma participação positiva do Brasil, combinando resultados expressivos, presença em diversas categorias e o surgimento de um novo protagonista no cenário internacional.

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  2. 31 May

    Bi da Champions, Marquinhos se consolida como lenda e mostra classe de líder com adversário

    O PSG fez história com o bicampeonato da Liga dos Campeões da Europa e agora entrou para a galeria de lendas do futebol. E quem também se consolida como uma lenda do Paris Saint-Germain é o capitão brasileiro Marquinhos, que levantou a taça da Champions pela segunda vez seguida e ampliou a sua história de títulos e recordes no clube francês. Tiago Leme, de Budapeste para a RFI No fim do jogo em Budapeste, Marquinhos ainda mostrou classe e a postura de um líder. O zagueiro Gabriel Magalhães, do Arsenal, chutou para fora o pênalti decisivo que garantiu a conquista do PSG. Antes de comemorar com os companheiros, o capitão foi abraçar e consolar o compatriota no gramado. "Eu me imaginei no momento em que eu perdi o pênalti também na Copa do Mundo, e é um momento muito difícil, uma responsabilidade muito grande”, explicou o craque. “A gente tem que ser muito forte pra sair desse momento, e não é diferente pra ele. Acho que ele queria muito ganhar esse título”, continuou. “Eu simplesmente quis tirar cinco minutos da minha celebração para reservar esse tempo pra ele, para abraçar ele”, disse Marquinhos, salientando “a temporada incrível” do adversário. “Pela temporada que ele fez, foi um dos melhores zagueiros do mundo atualmente.” O experiente Marquinhos, de 32 anos, e Gabriel Magalhães, de 28 anos, devem formar a dupla de zaga titular da seleção brasileira na Copa do Mundo deste ano. Com o bi da Champions, Marquinhos chegou a 39 títulos com o PSG, e 42 na carreira, igualando Daniel Alves como o brasileiro com mais conquistas na história. Eles são superados apenas pelo argentino Messi, que ganhou 46 vezes. O zagueiro também é o jogador com o maior número de partidas disputadas pelo Paris Saint-Germain: são 523 jogos em 13 temporadas. Exemplo para colegas de equipe Ídolo dos torcedores, Marquinhos também é um exemplo a ser seguido pelos companheiros de equipe. O lateral esquerdo Nuno Mendes falou sobre o capitão e não escondeu a felicidade em entrar pra história com o segundo título europeu. "Se nós somos lendas, eu não tenho uma palavra para o Marquinhos. O Marquinhos, como é óbvio, é uma pessoa muito querida por nós, pelos colegas da equipe, pelo clube. E isso vê-se nas coisas que ele faz. Dá tudo pelo símbolo que representa”, comentou Nuno. “Nós seguimos este exemplo, porque o Marquinhos é um jogador incrível, um grande jogador e uma grande pessoa também", disse. O meio-campista João Neves foi outro jogador português a elogiar a liderança do brasileiro. "O Marquinhos, desde que eu cheguei, foi um jogador e acima de tudo, foi uma pessoa espetacular. Acarinhou-me, a mim e a todo o grupo, quem chega de novo. Marquinhos é um exemplo a seguir, não só dentro de campo, mas também fora", afirmou João Neves. "Fico muito contente que os adeptos tenham nos dado essas declarações. Passamos a ser lendas do clube. É por isso que nós jogamos futebol, nos divertimos, e depois as coisas boas vão surgindo naturalmente." Jogo difícil A final deste sábado na Puskas Arena teve emoção. O Paris Saint-Germain conquistou a Champions pela segunda vez seguida, ao vencer o Arsenal dos pênaltis, por 4 a 3, em Budapeste. O bicampeonato veio em duelo difícil, depois do empate, por 1 a 1, no tempo normal e na prorrogação. A vitória confirma o clube francês como uma potência europeia. Depois de conquistar o Campeonato Inglês após 22 anos, o Arsenal entrou em campo confiante. O time de Londres abriu o placar logo aos 6 minutos do primeiro tempo, com gol de Havertz. Dali em diante, o PSG teve controle total da posse de bola e mais finalizações. O empate do multicampeão na França veio aos 20 minutos da segunda etapa. Kvaratskhelia sofreu pênalti, Dembélé cobrou e marcou: 1 a 1. No último lance do jogo, Barcola teve a melhor chance de virar para o Paris, mas perdeu. Na prorrogação, o desgaste físico obrigou substituições, como a saída de Marquinhos. Sem mais gols, a decisão foi para os pênaltis. Nas cobranças, dois brasileiros tiveram papel decisivo. Lucas Beraldo converteu o último para o PSG, enquanto o zagueiro Gabriel Magalhães chutou para fora. A festa parisiense tomou as ruas da capital da Hungria e na capital francesa, e vai continuar neste domingo, com celebrações no Campo de Marte, ao lado da Torre Eiffel, no palácio presidencial do Eliseu e no estádio Parque dos Príncipes.

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  3. 22 May

    Torneio de Roland-Garros começa sob polêmica sobre divisão de receitas e dois brasileiros em quadra

    Começa neste domingo (24) a fase principal do torneio de Roland-Garros, o único Grand Slam disputado no saibro, com a presença de dois representantes brasileiros em quadra: João Fonseca, no masculino, e Beatriz Haddad Maia, no feminino. A edição deste ano é marcada não apenas pelas disputas em quadra, mas também por uma polêmica fora dela: os valores pagos aos jogadores e a divisão das receitas do torneio. Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros Roland-Garros é palco de uma discussão cada vez mais presente no circuito profissional de tênis: a divisão das receitas do esporte. Nos últimos meses, alguns dos principais nomes do circuito mundial passaram a pressionar os organizadores para aumentar a participação dos atletas nos lucros gerados pelas competições. O debate ganhou força com a circulação de um manifesto assinado por jogadores de elite, entre eles o número um do mundo, Jannik Sinner, a líder do ranking feminino Aryna Sabalenka, além do sérvio Novak Djokovic e da americana Coco Gauff. A principal reivindicação é uma fatia maior das receitas totais. Para 2026, Roland-Garros anunciou uma premiação recorde de € 61,7 milhões, cerca de 10% superior à do ano anterior. Os campeões de simples vão receber € 2,8 milhões cada, mais de R$ 16 milhões, enquanto os vice-campeões ficam com € 1,4 milhão. Já os atletas eliminados na primeira rodada garantem cerca de € 87 mil, o equivalente a R$ 505 mil. Apesar dos números expressivos, jogadores consideram que a participação nas receitas ainda é limitada. Estimativas indicam que entre 14% e 15% da arrecadação total do torneio é destinada à premiação — proporção que, segundo os atletas, deveria se aproximar de 22%, em linha com outros eventos esportivos. A diretora do torneio, Amélie Mauresmo, reagiu às críticas e reconheceu a importância do debate, mas destacou as especificidades do modelo francês. Em entrevista a jornalistas, da qual a RFI participou, ela reconheceu a tensão em torno do tema e lamentou a forma como o movimento foi conduzido, reiterando que o diálogo está aberto. “Estamos um pouco 'tristes', entre aspas, com essa escolha, porque acaba penalizando todos os envolvidos no torneio — os jogadores, os fãs e a imprensa”, declarou. “A discussão foi lançada, será assunto de reuniões. Nós queremos conversar, trocar ideias, avançar. Cada um precisa dar um passo, mas estou confiante”, disse. Mauresmo também destacou as particularidades do modelo de Roland-Garros, administrado pela Federação Francesa de Tênis (FFT), diferentemente de outros torneios do circuito. Segundo ela, a organização tem investido em melhorias estruturais e no aumento da premiação. “Nós temos um modelo. O torneio pertence à Federação Francesa de Tênis, o que é muito diferente do que existe nos torneios da ATP, da WTA e mesmo de outros Grand Slams. Colocamos à disposição tudo o que podemos, no interesse dos jogadores. As infraestruturas melhoraram e os prêmios em dinheiro dobraram em dez anos”, afirmou. "Não devo nada a ninguém", diz João Fonseca Em entrevista aos jornalistas, o brasileiro João Fonseca comentou sobre a polêmica dos prêmios. "Eu fui notificado disso, nenhum jogador chegou a falar comigo, mas eu sei sobre o protesto que eles estão fazendo", relatou. "Mas não tenho poder para opinar porque é só meu segundo Roland-Garros. Estou focando no meu jogo, não tenho do que reclamar", acrescentou.  João Fonseca chega à competição após uma estreia promissora em 2025, quando alcançou a terceira rodada — desempenho que alimenta as expectativas para esta edição. Ele fez uma comparação entre a estreia, ano passado, e agora. “Eu acho que, do ano passado para cá, é muito diferente. Sou um João completamente diferente. Com uma mentalidade diferente, as pressões são diferentes", avalia. "Eu era um João que não devia nada a ninguém, sigo não devendo nada a ninguém, mas ninguém sabia o quanto eu poderia jogar. Eu era uma zebra no torneio", lembra. "E agora, mais concretizado no top 30, eu tenho que defender os meus pontos", continua. "Hoje sou um João mais maduro, sabendo lidar com a experiência de cinco sets. No final das contas, estou melhor mentalmente, fisicamente, tecnicamente. Tem tudo para ser um bom torneio", conclui. O jogador também falou sobre o que aprendeu ao enfrentar os melhores do mundo, como Carlos Alcaraz, Jannik Sinner e Alexander Zverev, em torneios este ano.  “O aprendizado é como esses caras lidam com a pressão super bem. Eles conseguem manter a calma nos momentos importantes, quando as coisas estão difíceis", continua. "Eu sou um jogador que bota bastante pressão no adversário, fazendo ele ficar em apuros, porque gosto de jogar agressivo", diz. "E eles se mantêm calmos, sabendo a hora de jogar com mais intensidade, de colocar as bolas para me fazer pensar", completa. Bia Haddad tem nova equipe Já Bia Haddad Maia, semifinalista em Roland-Garros em 2023, busca reencontrar o melhor nível após um início de temporada irregular. Em 2026, ela acumula quatro vitórias e 15 derrotas. E acaba de mudar de técnico. Agora treina com o espanhol Carlos Martinez Comet. "Todos os jogadores buscam mudanças e melhorias, todas as mudanças são naturais, os relacionamentos têm um ciclo", disse em entrevistas a jornalistas, antes da estreia. "O que sempre me deu confiança é a tranquilidade de que eu estou fazendo o meu 100%", continuou. Ela conta que passou por muitas mudanças nos últimos 18 meses. "É claro que o principal é a mudança de dentro para fora quando eu estou nesse ambiente, com essas pessoas, e é o que eu estou buscando agora. Estou querendo me escutar para saber quem eu quero ser desse ponto da minha carreira para frente", analisa Bia Haddad. "Eu estou procurando a forma que eu quero jogar. Quando a gente muda a equipe, muda um pouco a parte técnica e estratégica. Eu quero ser a Bia com alguns ajustes, mas não perder a minha personalidade. Eu acho que perdi um pouco da agressividade e sobre isso a gente está trabalhando", explicou a jogadora.  "Eu jogo tênis porque eu gosto, porque eu amo. O resultado em si importa pouco nesse momento. E o que importa é eu estar concentrada para conseguir melhorar essas coisas, porque o meu nível de tênis já está começando a ficar alto de novo nos treinos. É uma questão de tempo", conclui. Outros tenistas brasileiros, eliminados no torneio classificatório, acompanham a competição na torcida. “A gente sempre quer ver os brasileiros indo bem”, afirmou Thiago Seyboth Wild em entrevista à RFI. Gustavo Heide também aposta em uma boa campanha dos compatriotas: “O João já mostrou do que é capaz. A Bia não vive o melhor momento, mas tem qualidade para voltar forte a qualquer hora.” 600 mil espectadores esperados Roland-Garros é um dos torneios mais tradicionais do tênis mundial e um dos mais queridos pelos torcedores brasileiros. É disputado desde 1891, antes da era profissional da modalidade. Este ano, o evento deve atrair mais de 600 mil espectadores ao longo das duas semanas de competição. Nas arquibancadas, o clima é de entusiasmo. Muitos aproveitam a viagem não apenas para acompanhar partidas, mas também para viver a experiência completa do torneio, que mistura esporte, lazer e turismo. Foi o caso da brasileira Ana Beatriz Peixoto, que escolheu Roland-Garros para celebrar o aniversário ao lado de amigos. “Sempre foi um sonho. Eu jogo tênis desde pequena e, agora que moro na França, era a oportunidade perfeita”, contou. Para ela, o interesse crescente pelo tênis no Brasil também se reflete no público presente. “Com a Bia e agora o João, o Brasil está melhorando bastante. Tem uma geração nova forte chegando”. Paulo Certec, professor de inglês, falou à RFI sobre a emoção de voltar ao templo do tênis parisiense. “Não é a minha primeira vez. Eu gosto bastante de tênis, já tive a oportunidade de estar aqui e estou feliz de ter voltado", disse. "João é a nossa grande estrela, espero que ele consiga no saibro chegar bem longe no torneio e nos dar mais uma alegria como o Guga deu em 2000 e 2001", acrescentou. Gustavo Kuerten também foi vencedor do torneio em 1997. Entre os torcedores, o passado glorioso do tênis brasileiro segue presente. O nome do tricampeão em Paris ainda é frequentemente lembrado. “Quando dizemos que somos brasileiros, sempre vem a referência do Guga”, observa o arquiteto Felipe Simão. “E acho que temos um ‘tempero’ diferente na torcida”. Se esse “tempero” vai se traduzir em resultados dentro de quadra, é o que os próximos dias em Roland-Garros irão revelar.

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  4. 14 May

    PSG vira página do título do campeonato francês e sonha com a taça da Champions League

    O título do Paris Saint-Germain na temporada 2025/26 da Ligue 1, que é o campeonato francês, não chegou a ser uma surpresa. A conquista veio após a vitória de 2 a 0 sobre o Lens com uma rodada de antecipação na quarta-feira passada (13). Marcio Arruda, da RFI em Paris Agora, o PSG volta a campo neste domingo para fazer o último jogo desta competição. O dérbi parisiense será no estádio Jean-Bouin contra o Paris FC, que este ano subiu para a elite do campeonato francês e eliminou da Copa da França o rival mais rico e mais famoso da capital. Nas 33 partidas até o momento na Ligue 1, o PSG venceu 24, empatou quatro e perdeu apenas cinco. O clube tem o melhor ataque da competição com 73 gols, que foram marcados por 18 jogadores do elenco. A artilharia do Paris Saint-Germain neste campeonato ficou dividida entre Ousmane Dembélé, eleito melhor jogador do mundo na última votação organizada pela France Football e apontado como craque do campeonato, e Bradley Barcola; cada um marcou 10 gols. Titular nos últimos seis jogos do PSG, Lucas Beraldo tem crescido de produção nesta reta final de temporada. O brasileiro, revelado para o futebol profissional pelo São Paulo, afirmou que não tem preferência por jogar de zagueiro, lateral ou volante. “Independentemente do setor do campo que eu vá jogar, seja como zagueiro, volante ou lateral, acho que estou sempre pronto para ajudar a equipe, que é o mais importante. O Luis Enrique sabe extrair isso muito bem de todos os jogadores, mudando a posição e ajudando cada um nas novas funções. Ele está fazendo assim comigo e poder aproveitar isso é uma coisa incrível”, contou o zagueiro de origem, Beraldo. A defesa é um dos pontos fortes do time nesta temporada. O Paris Saint-Germain não tomou gol em 18 dos 33 jogos na Ligue 1, comprovando a solidez do setor. Mesmo estando no final da temporada, o técnico Luis Enrique promoveu a estreia de uma joia do clube contra o Lens. O zagueiro Dimitri Lucea fez seu primeiro jogo com o time profissional do PSG e falou sobre o sentimento de defender o atual campeão da Europa. “É um orgulho imenso poder fazer parte da equipe da capital da França. É sempre um orgulho porque é um grande clube. Então, eu estou feliz por ter ajudado a equipe a buscar esta vitória diante do Lens”, afirmou o jovem de 19 anos. Paredão russo Eleito melhor em campo na partida que garantiu o título francês, o goleiro do PSG, o russo Matvei Safonov, teve uma atuação de gala. “Gostaria de dar os parabéns para todo mundo que assistiu a este jogo e acompanhou a nossa temporada. Fizemos um grande trabalho e todos estamos muito felizes porque parte do nosso objetivo terminou nesta partida. Foi muito importante ganhar este jogo aqui", disse Safonov. "O Lens merece respeito porque foi um jogo muito difícil para a gente. Então, foi muito bom sairmos daqui como campeões. Todos estão de parabéns." Maior campeão da França Este foi o décimo quarto título do Paris Saint-Germain no campeonato francês. O PSG é o maior campeão da história da competição, com quatro troféus a mais do que o Saint-Étienne. Neste ranking dos maiores campeões, o Olympique de Marseille está em terceiro, com nove títulos, logo à frente do Mônaco e do Nantes, ambos com oito. Leia tambémPSG eleva futebol francês a circuito de clubes que realmente contam na Europa, diz imprensa Esta conquista do PSG foi a quinta seguida na Ligue 1, um recorde na história do Paris Saint-Germain. O líder deste ranking é o Lyon, que conquistou sete vezes seguidas o campeonato francês entre 2002 e 2008.   O título também foi especial para o técnico Luis Enrique, que está no comando do PSG desde julho de 2023. O treinador espanhol chegou a onze troféus pelo clube e se tornou, ao lado de Laurent Blanc, o técnico mais vitorioso da história do PSG. Apesar da importante marca pessoal, Luis Enrique reconheceu que o resultado do jogo em Lens poderia ter sido outro. “É um resultado que talvez tenha sido injusto para o Lens porque eles mereceram mais que a gente. Mas nós mostramos novamente o nosso nível e a nossa ambição, que é muito importante para gerir esta fase final da temporada. Estamos felizes porque foram três anos bem difíceis. Neste, o Lens fez um campeonato muito bom. Além disso, jogar neste estádio em Lens foi muito importante porque no próximo ano serão duas das equipes que estarão disputando a Champions League”, afirmou Luis Enrique. A um jogo da glória da Champions League O foco do Paris Saint-Germain agora está na final da Champions League. Depois de eliminar Mônaco, Chelsea, Liverpool e Bayern de Munique nas fases mata-mata, o PSG chega confiante a mais esta decisão. “A expectativa é sempre muito grande. A gente vai se preparar com calma para a final da Champions League. Então, a gente vai tranquilo para que possamos aproveitar bem tudo que envolva essa final”, garantiu Lucas Beraldo. O jogo que vai coroar o campeão da temporada 2025/26 da Champions League será contra o Arsenal, melhor time da primeira fase da competição. A final entre os clubes francês e inglês será no dia 30 de maio na Arena Puskás, em Budapeste, na Hungria. Leia tambémPSG elimina o Bayern e vai à final da Champions tentar o bi:"É aproveitar o momento", diz Marquinhos O Paris Saint-Germain vai fazer a sua segunda final consecutiva da Liga dos Campeões – a terceira na sua história. O PSG é o atual campeão da Champions e vai jogar pelo bicampeonato da mais importante competição europeia. O elenco atual do Paris Saint-Germain, liderado pelo brasileiro e capitão Marquinhos, que fez 32 anos na última quinta-feira, segue fazendo história para se tornar o melhor PSG de todos os tempos.

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  5. 8 May

    Diogo Moreira vive ‘sonho’ ao recolocar Brasil na MotoGP, a Fórmula 1 do motociclismo

    Aos 22 anos, Diogo Moreira vive sua primeira temporada na MotoGP, a principal categoria do motociclismo mundial. O piloto brasileiro chega à elite depois de passar pelas categorias de base – Moto3 e Moto2 – e conquistar, em 2025, o título mundial da Moto2, um resultado inédito para o Brasil. “Depois de tanto esforço, está sendo um sonho”, diz Moreira em entrevista à RFI. Luiza Ramos, da RFI em Paris A promoção para a MotoGP em 2026 marca uma nova etapa da carreira do jovem, com motos mais potentes, corridas mais longas e um nível de exigência maior, tanto física quanto técnica. A estreia de Diogo Moreira na MotoGP, pela equipe LCR Honda, na temporada de 2026, representa o fim de um jejum histórico para o Brasil, que ficou quase duas décadas fora do grid da elite da motovelocidade. Alex Barros, último representante brasileiro na categoria, se aposentou em 2007, quando competia pela equipe Ducati. Neste fim de semana, de 8 a 10 de maio, Moreira vai disputar, pela primeira vez, uma prova da MotoGP no clássico circuito Bugatti, no Grande Prêmio da França, em Le Mans. A etapa foi palco da vitória de Johann Zarco em 2025. “Depois de tantos anos, o pessoal no Brasil está muito animado. Eu acho que eu ter voltado para o Mundial, e ainda mais depois de ter ganhado o campeonato [Moto2] ano passado, fez o pessoal voltar a ver as corridas. Acho que está impulsionando muito mais o campeonato no Brasil, os fãs", diz. "Para mim está sendo uma honra também. Vou continuar fazendo o que estou fazendo e tentar melhorar a cada corrida. Está sendo uma motivação a mais”, afirma o piloto, natural de Guarulhos. Além disso, Diogo passa a ser uma referência atual para uma nova geração que acompanha o esporte no país, justamente em um momento em que o motociclismo brasileiro busca se fortalecer, com o retorno do Brasil ao circuito internacional após mais de duas décadas fora do calendário do campeonato. A prova realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, no penúltimo fim de semana de março, contou com um público de quase 150 mil pessoas e reforçou o interesse do público local pela competição. Diogo vive desde a adolescência na Espanha, quando decidiu se dedicar ao esporte. “Eu sempre sonhei em correr no Brasil e ainda mais na MotoGP. Para mim foi um fim de semana muito, muito emocionante, muita gente da minha família, muitos amigos. Foi muito legal para mim e para todos os brasileiros”, comentou ele, que foi o 13º colocado no Grande Prêmio do Brasil de MotoGP, em 22 de março. Parceria com francês e amizade com grandes nomes da Espanha Na competição, o brasileiro divide pista com alguns dos nomes mais reconhecidos da modalidade, como os irmãos espanhóis Alex e Marc Márquez, além de correr na mesma equipe do francês Johann Zarco, um dos pilotos mais experientes do grid. “Eu acho que a gente faz uma boa dupla. A gente tenta sempre melhorar um com o outro. Agora, no momento, estou aprendendo muito mais com ele. Vai chegar um momento em que a gente vai conseguir aprender os dois juntos”, aposta o jovem talento. Antes do GP da França neste fim de semana , Diogo ocupa a 17ª posição na classificação geral, entre 24 pilotos. “Estou em uma fase de aprendizado da categoria, da moto, mas acho que a gente está fazendo um bom trabalho. Estou no melhor campeonato do mundo e na melhor categoria", comemora. "Mais do que isso é difícil. Então, a gente tem que ter calma agora e tentar melhorar a cada fim de semana”, completa. Treinamento mais intenso na MotoGP Na Moto2, as motos têm motor único e padronizado, um tricilíndrico de 765 cc, com cerca de 140 cavalos de potência, atingindo velocidades próximas de 300 km/h, o que reduz as diferenças técnicas e valoriza a habilidade do piloto. Já na MotoGP, categoria principal do Mundial, as motos são protótipos de fábrica, com motores de até 1000 cc, mais de 250 cavalos e velocidades acima de 350 km/h. Por isso, a Moto2 é vista como uma categoria de formação, uma etapa intermediária em que jovens pilotos se desenvolvem antes de chegar à elite do motociclismo mundial. Diogo Moreira conta que os treinamentos são mais intensos agora que está na MotoGP. “O fim de semana é muito mais curto, a gente tem menos tempo livre fora da moto. É quase o fim de semana inteiro em cima da moto. Mas também é o que eu sempre quis, então, estou me divertindo muito no momento. Fisicamente estou me preparando muito mais”, revela. Ídolos e inspirações O convívio diário com atletas consolidados faz parte do processo de adaptação à nova categoria, principalmente com Marc Márquez, campeão da MotoGP em 2025, em quem Diogo se inspira. “A gente tem uma boa relação, quando a gente vai treinar juntos. Desde que eu comecei na motovelocidade, eu o vi ganhar. Então, para mim é um ídolo”, destaca. Além de Marc Márquez, o piloto também cita Ayrton Senna, ícone brasileiro morto há 32 anos e que Diogo não chegou a ver competir: "Desde o começo da minha carreira, ainda no motocross, eu sempre me inspirei na história do Ayrton Senna, que é muito interessante. Até hoje eu continuo entendendo um pouquinho mais da história dele. Por isso que eu sempre gostei, sempre vou gostar”, declara. Ainda na quinta etapa do campeonato de 22 fases no total, que termina em novembro em Valência, Diogo mantém os pés no chão ao projetar o futuro. “Eu estou bem satisfeito. Eu acho que a gente pode continuar melhorando ainda muito mais. Então, vai chegar com calma. A gente tem o campeonato inteiro pela frente. É muito cedo ainda para falar", avalia. "A gente tem que se concentrar nesse ano e tentar, a cada fim de semana, melhorar. O que for para o ano que vem vai estar bom.”

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  6. 3 May

    Copa do Mundo 2026: participação do Irã reacende tensões no esporte e na diplomacia global

    A cerca de 40 dias do início da Copa do Mundo de futebol, a participação do Irã no torneio voltou a expor tensões diplomáticas no cenário internacional. Nesta semana, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmaram que a seleção iraniana estará presente na competição, apesar das controvérsias geopolíticas que envolvem o país. Durante um congresso da FIFA realizado em Vancouver, no Canadá, Gianni Infantino foi direto ao confirmar a presença da seleção iraniana no Mundial: “Quero confirmar que o Irã participará da Copa do Mundo”, declarou o presidente da FIFA. “E, é claro”, acrescentou, “o Irã jogará nos Estados Unidos”.  Pouco depois, questionado por jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, respondeu em tom irônico, citando diretamente o dirigente da FIFA: “Se o Gianni disse isso, então estou de acordo”.  Para analisar o contexto político por trás desses anúncios, a reportagem da RFI ouviu Raphaël Le Magoariec, doutor em Geopolítica pela Universidade de Tours, na França, e especialista em Oriente Médio.  Segundo ele, Donald Trump foi colocado “diante de um fato consumado” e se mostra incomodado com a postura da FIFA, que tenta se afastar das disputas geopolíticas, especialmente em um momento de forte tensão na região.  “O presidente americano foi colocado diante de um fato consumado e, sobretudo, ele está muito incomodado com o discurso da FIFA, que deseja, como vimos na última quinta-feira (30), sair da geopolítica, especialmente desta geopolítica regional do Oriente Médio, que está atualmente pegando fogo”.  Interesses da FIFA acima dos conflitos internacionais Le Magoariec lembra que Gianni Infantino tentou, durante a assembleia da FIFA, aproximar os presidentes das federações israelense e palestina, em uma tentativa de mediação simbólica. “Vemos claramente que o presidente da FIFA, que atribuiu o primeiro Prêmio da Paz da FIFA a Trump em dezembro, está incomodado com os desdobramentos e com toda a política de Donald Trump no Oriente Médio atualmente”.  Para o especialista, a iniciativa não teve sucesso, mas revela ambições políticas do dirigente máximo do futebol mundial. “Não funcionou, mas vemos muito bem que ele está tentando; podemos até nos perguntar se ele não tem vontade de obter ele próprio o Prêmio Nobel da Paz”, sugere.  Le Magoariec destaca ainda que, para Infantino, os interesses financeiros da instituição têm prioridade sobre os conflitos internacionais. “Para ele, o que conta é o lucro e enriquecer cada vez mais a FIFA. Portanto, todas as rivalidades geopolíticas devem silenciar para que o lucro prevaleça. Essa é a realidade dele”, opina.  Futebol e poder político no Irã  De acordo com o especialista, Gianni Infantino insiste em assumir um papel político no cenário internacional. Nesse contexto, o futebol iraniano não pode ser dissociado do poder político, nem dentro do Irã nem em outros países do Oriente Médio e do Golfo Pérsico.  Raphaël Le Magoariec lembra que a seleção representa oficialmente a República Islâmica do Irã e que a estrutura esportiva está diretamente ligada ao regime, já que “a federação iraniana é dirigida por Mehdi Taj, um ex-membro da Guarda Revolucionária”, detalha o especialista.  Segundo ele, o esporte é utilizado como instrumento simbólico de controle social.  “É preciso compreender que o futebol, a luta ou o voleibol são para o Irã elementos simbólicos de controle social.” Esse vínculo entre esporte e política não é exclusivo do Irã, afirma Le Magoariec. “Mesmo em outros países da região, nos países do Golfo Pérsico, não está dissociado da política e faz parte do simbolismo do poder, da encenação da potência e do controle social.”  Le Magoariec cita ainda declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que demonstrou preocupação com a composição da delegação iraniana que viajará aos Estados Unidos. “Foi por isso que Marco Rubio insistiu que o problema não eram os jogadores, mas sim a delegação. É preciso ver quem fará parte da delegação que irá viajar. É isso que causa preocupação”.  Onde o Irã vai jogar?  Apesar da confirmação da presença do Irã no Mundial, permanece a dúvida sobre os locais dos jogos da seleção. O Irã está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, com partidas previstas para Los Angeles e Seattle.  Para Raphaël Le Magoariec, uma alternativa seria transferir os jogos para outro país-sede da Copa, como México ou Canadá. “Essa é realmente a solução: que sejam deslocados para outro país. Sabendo que o Irã deveria jogar especialmente em Los Angeles, onde vive a maior comunidade iraniana nos Estados Unidos.”  O especialista ressalta, no entanto, que a seleção iraniana não conta com apoio unânime da diáspora. Segundo ele, “uma parte da diáspora é contra esta seleção”.  Precedentes e riscos de contestação  Le Magoariec lembra que a Copa do Mundo de 2022, no Catar, ocorreu após a morte da jovem Mahsa Amini, detida pela polícia da moralidade iraniana por supostamente não usar o hijab de forma adequada. Na ocasião, muitos torcedores iranianos vaiaram a própria seleção, vista como representante do regime.  Para o especialista, a FIFA não demonstra a mesma preocupação neste novo Mundial.  “A FIFA tentou organizar os jogos em locais onde houvesse muitos torcedores, mas existe essa questão da contestação, pois grande parte da diáspora vê a seleção hoje como a seleção da Guarda Revolucionária”.  Casos recentes, como a desistência da delegação iraniana de participar do congresso da FIFA no Canadá, alegando problemas migratórios, reforçam como a Copa do Mundo que se aproxima segue profundamente marcada pela geopolítica.

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  7. 26 Apr

    Lucas Beraldo, do atual campeão PSG, diz que clube está pronto para encarar o Bayern nas semifinais da Champions

    Esta semana promete ter fortes emoções em Paris. O PSG entra em campo na terça-feira (28) no Parc des Princes para enfrentar o Bayern de Munique, no primeiro jogo das semifinais da Liga dos Campeões.  Marcio Arruda, da RFI em Paris O Paris Saint-Germain é o atual campeão da Champions League e vai jogar pela terceira vez seguida as semifinais da Liga, um desempenho incomum para a maioria dos clubes, frisou técnico do Paris, Luis Enrique. "Isso é muito difícil de conseguir. Estamos orgulhosos do que fizemos até agora e queremos muito mais. Buscaremos, nos próximos anos, fazer a mesma coisa ou melhorar ainda mais", disse. "Nós sabemos que, no futuro, será difícil estar novamente numa semifinal ou até mais chegar mais adiante”, ressaltou o treinador do Paris Saint-Germain. Na fase mata-mata desta edição, o PSG passou pelo Mônaco, eliminou o Chelsea – vingando a derrota na final do mundial de clubes de 2025 – e despachou o Liverpool. Os jogadores do clube francês têm demonstrado confiança para a partida que será disputada nesta terça-feira, em Paris. O zagueiro brasileiro Lucas Beraldo, que já atuou de lateral e volante com a camisa do time parisiense, disse que o elenco está focado na Champions League. “A expectativa é sempre a melhor possível. A gente conhece a qualidade do nosso adversário, então, a gente está se preparando da melhor forma possível porque esse mês vai ser importante para a gente, nesta temporada”, contou o brasileiro. Osso duro de roer O Bayern de Munique tem sido uma pedra no sapato do PSG na Champions. Na final de 2020, o time alemão ganhou por 1 a 0 e foi campeão. Na temporada seguinte, foram dois jogos pelas quartas com uma vitória para cada lado e classificação do clube francês. Nas oitavas da edição de 2022/23, o balanço foi duas vitórias do Bayern sobre o PSG. Nesta temporada, no jogo disputado em novembro do ano passado na capital da França, nova vitória do Bayern: 2 a 1. Para a partida desta terça-feira,  o Bayern, campeão desta temporada da Bundesliga e finalista da Copa da Alemanha, terá pelo menos dois desfalques: o meia-atacante Serge Gnabry, lesionado na coxa direita e que não poderá disputar a Copa do Mundo pela seleção da Alemanha, e o técnico Vincent Kompany. O ex-zagueiro do Manchester City e da seleção da Bélgica – ele estava em campo na partida em que os belgas tiraram o Brasil da Copa de 2018 – foi punido com cartão amarelo durante o jogo em que o Bayern eliminou o Real Madrid e está suspenso para a partida em Paris. “Em termos de como vamos organizar o jogo contra o PSG, nós ainda estamos pensando. Para ser honesto, não estou feliz com o cartão amarelo que recebi no jogo contra o Real Madrid. O quarto árbitro está lá também para nos escutar", argumentou. "Em um determinado momento, teve um lance discutível e é normal que eu, como técnico do Bayern, fale com ele. Se a minha linguagem tivesse sido exagerada, eu aceitaria a punição, mas minha linguagem não foi desrespeitosa", afirmou o treinador do Bayern. "A equipe vai a Paris para buscar um bom resultado. Eu só estarei à beira do campo no jogo da volta, em Munique. Eu tenho muita fé na equipe do Bayern e na comissão técnica para não apenas continuar, como para ganhar cada vez mais força e motivação”, revelou Kompany. Mesmo com os desfalques do Bayern, o técnico Luis Enrique descartou qualquer favoritismo do Paris Saint-Germain. “Nós somos igualmente favoritos desde o primeiro dia que jogamos a Champions League. Na verdade, não é importante saber quem é favorito. O importante é mostrar em campo o seu nível, e é isso que interessa.” Apesar da boa fase, o treinador não quer nem saber se o Paris Saint-Germain desta temporada é melhor ou pior do que o PSG que foi campeão na última edição da Champions. “Isso não é importante. Eu arrisco a dizer que somos iguais. Nada mal. Eu realmente não estou preocupado se a gente é um pouco mais forte ou mais fraco. Para mim, estar mais ou menos no mesmo nível do que estávamos é incrível”, disse Luis Enrique. Leia tambémPSG goleia Inter de Milão na final e conquista título inédito da Liga dos Campeões   Mesmo tendo sido titular somente em alguns dos últimos jogos do PSG, o brasileiro Lucas Beraldo tem passado a maior parte da temporada no banco de reservas. Mas isso não incomoda o zagueiro, que ganhou destaque no futebol com a camisa do São Paulo. “Eu acho que sou uma pessoa importante no clube, não só pela questão de jogar ou não, mas no dia a dia eu estou sempre fazendo o meu trabalho e dando o meu melhor. Cabe ao treinador escolher quem vai jogar ou não", comentou. "Minha parte está sendo bem feita e tem sido correspondida nos últimos jogos, quando eu estou conseguindo um pouco mais de minutagem. Espero ter mais essa sequência para ajudar ainda mais a equipe”, afirmou Beraldo, que fez o terceiro gol da vitória do Paris Saint-Germain sobre o Angers por 3 a 0 neste sábado (25). Leia tambémPSG eleva futebol francês a circuito de clubes que realmente contam na Europa, diz imprensa Impedido de estar à beira do campo nesta partida de ida das semifinais, Vincent Kompany não vai conseguir exibir seu vestuário, por vezes extravagante, na Cidade Luz. “Sou muito mais discreto do que você imagina. Eu não faço tanto esforço para ser assim, de verdade. Eu tenho muita sorte de ter uma família que está cuidando também dessas coisas e um patrocinador que está aqui para deixar as coisas acontecerem. Eu só gosto de usar roupas confortáveis. Tudo que eu tenho, que eu uso, você pode encontrar em  qualquer loja”, observou Kompany.  Sem o técnico humilde e bem-vestido para comandar o Bayern no Parc des Princes, o Paris Saint-Germain pode dar um importante passo para chegar a sua terceira final de Liga dos Campeões (2019/20 e 2024/25).

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  8. 19 Apr

    “Endrick está com mais confiança”, diz treinador do Lyon antes de jogo contra o PSG

    O Paris Saint-Germain recebe neste domingo (19), o Lyon, no jogo de encerramento da 30ª rodada do campeonato francês. Enquanto o time parisiense busca manter-se isolado na liderança, o Lyon vai tentar um bom resultado para continuar na briga pelas melhores posições da tabela. O treinador do time lionês elogia a boa fase do brasileiro Endrick, mas faz mistério sobre se o atacante será titular. Embalado pela vitória de 2 a 0 contra o Liverpool, em Anfield, que garantiu vaga na semifinal da Liga dos Campeões da Europa, o PSG entrará em campo menos pressionado do que seu adversário. Líder isolado com 61 pontos e com um jogo a menos do que o Lens, segundo colocado, o time parisiense vê na vitória uma oportunidade de ampliar a vantagem para os concorrentes ao título. A superioridade do PSG é incontestável. A boa fase do time, que vem também de duas vitórias seguidas no campeonato, faz os adversários temerem. O treinador do Lyon, o português Paulo Fonseca, confessou na entrevista coletiva antes da partida, que enfrentar o PSG exige uma preparação não somente física mas mental, para enfrentar uma equipe ofensiva e que, segundo ele, vive seu melhor momento. “Acho que o PSG está no seu melhor momento da temporada. Eles também tiveram problemas físicos e lesões, mas agora contam com todos os jogadores. Não sei se todos estão disponíveis para jogar ou não, mas eles estão em um ótimo momento. Acho que este é o melhor momento do PSG”, disse Fonseca. Segundo a imprensa esportiva francesa, a volta aos treinamentos do meio campista Fabien Ruiz é progressiva e talvez não entre em campo contra o Lyon. O treinador Luis Enrique ainda pode poupar o lateral Nuno Mendes e o atacante Desiré Doué, que sentiram leves contusões no jogo contra o Liverpool. Mas as dúvidas não dissipam as preocupações do jogadores adversários. O zagueiro angolano do Lyon, Clinton Mata, não hesita em dizer que vai enfrentar uma equipe que é um verdadeiro “rolo compressor”. Mas o time pode surpreender, após a boa vitória contra o Lorient, em casa, por 2 a 0. “Vamos enfrentar, diria, a melhor equipe do campeonato. Sabemos que é também um "rolo compressor". É uma equipe que tem muitas qualidades. Para nós, acho que o mais importante nesse tipo de partida é nos concentrarmos em nós mesmos. Acho que, a vitória contra o Lorient deu muito mais confiança para a equipe. Além disso,  tudo é possível no futebol. De qualquer forma, vamos disputar essa partida dando o nosso melhor para tentar conquistar alguns pontos”, disse Mata. Endrick “com confiança” Para tentar surprender o PSG em casa, os torcedores do Lyon esperam contar com a eficiência do brasileiro Endrick. Muito criticado por ter ficado seis partidas sem marcar gols, o brasileiro foi parar no banco, por escolha do treinador Paulo Fonseca. Mas na vitória contra o Lorient, que encerrou uma série de derrotas do Lyon, Endrick foi decisivo. Ao entrar em campo na segunda etapa, deu um passe para Yaremchuck abrir o placar e também teve participação no segundo gol, marcado por Tolisso. A equipe chegou aos 51 pontos e está em quinto lugar na tabela. Questionado sobre o papel de Endrick especialmente no últimos jogo do Lyon, o treinador Paulo Fonseca foi só elogios ao brasileiro. “Ele entrou muito bem, deu mais confiança aos jogadores. Ele ajudou a equipe, foi decisivo e decidiu o jogo. Sei que é difícil ser decisivo em todos os jogos, mas ele jogou melhor do que nos outros", avaliou. "No final da partida, analisamos muitas coisas e também precisamos levar em conta que foi um jogo contra uma equipe que defendia muito bem, sem deixar espaços. Neste momento, precisamos da criatividade de um jogador como o Endrik. Ele entrou, fez o que eu  acho que ele sabe fazer de melhor, e pode ajudar a equipe neste momento”, acrescentou. Paulo Fonseca admite que tem sido muito criticado pelas escolhas que tem feito. Cobrado sobre como pretende aproveitar melhor o brasileiro em campo, o português não quis revelar se o atacante será titular contra o PSG, mas destacou o bom momento do ex-palmeirense. “Para um jogador como o Endrik, há outros momentos em que é mais fácil para ele entrar durante o jogo. Mas um jogador com a qualidade do Endrick, precisamos o tempo todo. Ele é muito importante em todos os momentos e acho que ele está melhor agora, com mais confiança”. O jogo PSG contra o Lyon será no Parque dos Príncipes, em Paris, às 20h45 pelo horário local, 15h45 pelo horário de Brasília.

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