Poder Público

A semana política em debate pela secção de política do PÚBLICO.

  1. 5d ago

    Ouça a estreia de "Quem matou Rosalina?" A mulher ignorada 608

    Trinta e seis segundos num elevador, uma mulher a compor o cabelo ao espelho e uma noite de chuva em Saquarema, nos arredores do Rio de Janeiro, Brasil. Rosalina Ribeiro, secretária pessoal e companheira do milionário Lúcio Tomé Feteira, falecido em 2000, saiu para jantar a 150 metros de casa e nunca mais voltou. Levaram-lhe a pasta com os documentos e deixaram-lhe o relógio e os brincos, porque quem a matou não queria o que ela tinha, queria o que ela sabia. Durante dez dias, enquanto as amigas colavam cartazes a alertar para o seu desaparecimento pelas ruas do bairro de Flamengo, o seu corpo foi apenas uma etiqueta, com o número 608, numa morgue do Rio de Janeiro. Neste primeiro episódio do podcast Quem Matou Rosalina?, ouvimos Rosemary Gomes, a testemunha que ouviu os tiros, a fadista Maria Alcina, amiga de Rosalina, que sonhou com o pedido de socorro, e entrevistamos o jornalista Plínio Fraga, autor da reportagem Dostoiévski em Saquarema, que reconstitui o caso e nos apresenta Duarte Lima, o homem que se adiantou à polícia com o envio de um fax que ninguém lhe pediu. O lançamento deste podcast narrativo coincide com o início do julgamento de Duarte Lima, no tribunal de Sintra, a 5 de Novembro. O antigo deputado do PSD foi acusado pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, no Brasil, a 7 de Dezembro de 2009. Quem Matou Rosalina? é uma produção da Coimbra Coolectiva em exclusivo para o PÚBLICO, com a colaboração do Globo. A narração é de José Martins e a banda sonora é dos Belle Chase Hotel. A produção está disponível em português do Brasil e de Portugal. Acompanhe aqui a versão brasileira. See omnystudio.com/listener for privacy information.

  2. Jul 17

    Governo sem estado de graça no debate sobre o estado da governação

    Bem-vindos ao Poder Público. Este é o último episódio antes das férias e a temporada parlamentar fecha com dois temas inevitáveis: o debate do Estado da Nação, marcado pela crise dos exames nacionais, pela defesa dos ministros mais pressionados e pela tentativa de Luís Montenegro de recentrar a conversa nos trunfos do Governo; e a nova sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, que mostra o PS a subir, a alcançar a AD, mas também uma maioria de portugueses sem ver uma alternativa melhor para governar. O debate do estado da nação é o prato forte. Montenegro chegou ao Parlamento com a Educação no centro da polémica, mas recusou a ideia de caos, segurou Fernando Alexandre e também Luís Neves, e tentou mostrar um Governo ainda com iniciativa. O primeiro-ministro acusou PS e Chega de quererem governar a partir do Parlamento e, em matéria fiscal, responsabilizou ambos por travarem novas reduções do IRS. Ao mesmo tempo, André Ventura desafiou Montenegro a apresentar uma moção de confiança e o PS acusou o Governo de se esconder dos problemas. Quem ganhou o debate? A discussão clarificou alguma coisa sobre a governabilidade? Montenegro saiu mais forte por ter resistido ao cerco, ou mais condicionado por ficar cada vez mais preso entre PS e Chega? Há razões para uma moção de confiança? No que diz respeito à sondagem, o PS dispara, alcança a AD, o Chega recua e há um crescimento expressivo dos indecisos. Mas há um dado que talvez seja tão importante como a intenção de voto: a maioria dos inquiridos não vê uma alternativa melhor para governar e olha para Luís Montenegro como o menos mau. A sondagem também mostra uma avaliação mais negativa do desempenho do Governo e a percepção de que o país está pior do que há um ano. Ainda assim, a maioria não quer eleições antecipadas e prefere que o Governo cumpra o mandato. Isto é um travão à estratégia da oposição? No sentido em que PS e Chega têm margem para apertar o Governo, mas não para precipitar uma crise política? E há um último ponto: José Luís Carneiro chega ao fim desta etapa com sondagens favoráveis, mas também com uma decisão difícil à frente — o Orçamento. Se o PS aparece empatado com a AD, pode sentir-se tentado a endurecer; mas se os eleitores não querem instabilidade, pode ser penalizado por bloquear. Será que a sondagem dá mais força ou mais responsabilidade a José Luís Carneiro? E que pistas deixa para a posição do PS no Orçamento? Os minutos finais do episódio são para o Público & Notório. O Poder Público faz agora uma pausa e volta com a política em modo rentrée. Até Setembro. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Governo sem estado de graça no debate sobre o estado da governação
  3. Jul 9

    A selecção não passou no teste e Fernando Alexandre não fez os TPC

    O episódio de hoje começa com um tema que juntou futebol, política e gestão de crise: a presença de governantes e dirigentes políticos no Mundial de 2026, nos Estados Unidos, numa altura em que Portugal estava em alerta por causa dos incêndios. Luís Montenegro foi ver a selecção, a oposição criticou, e Hugo Soares respondeu que os sociais-democratas gostam de futebol, que são “do povo” e que a selecção é uma representação maior do país. A questão não é apenas o futebol. O primeiro-ministro estava fora do país num momento sensível, com incêndios e situação de alerta. Falamos sobre isso, sobre se as presenças foram um risco calculado e sobre a mensagem que se quer transmitir através da frase “nós somos do povo”. Segue-se um assunto que tem deixado as famílias à beira de um ataque de nervos. As últimas semanas foram marcadas por confusão nos exames nacionais: atrasos, dificuldades na distribuição das provas para correcção, falhas técnicas, alterações no calendário e uma pressão crescente sobre o ministro Fernando Alexandre. O Governo diz que o essencial é garantir o rigor da avaliação e que os alunos não serão prejudicados, mas a ideia de desorganização ganhou força. E há uma dimensão que vai além dos exames: professores, escolas, famílias e alunos vivem com ansiedade qualquer falha neste processo, porque os exames contam para o acesso ao ensino superior e porque a confiança no sistema depende muito da previsibilidade. A verdade é que Fernando Alexandre entrou no Governo com uma imagem de competência técnica, algum capital de confiança e a expectativa de que conseguiria estabilizar uma área cronicamente difícil. Mas a Educação tem uma capacidade muito própria de consumir ministros depressa. Será que podemos dizer que este episódio marca o fim do estado de graça de Fernando Alexandre? E que dano será mais difícil de reparar neste caso: o atraso concreto no calendário, a falha técnica, ou a quebra de confiança na capacidade do Ministério para gerir processos sensíveis? Os minutos finais são reservados para o Público & Notório. O Poder Público volta na próxima semana, excepcionalmente na sexta-feira, para comentar o debate do estado da nação. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    A selecção não passou no teste e Fernando Alexandre não fez os TPC
  4. Jul 2

    Tropeções do Governo ajudam Carneiro e cavaleiros orçamentais ajudam Montenegro

    Esta semana debatemos vários temas que se cruzam todos com a mesma pergunta: como é que se governa, e como é que se faz oposição, num país que mudou mais depressa do que as suas estatísticas, num Parlamento sem maiorias claras e com sondagens a mexerem no equilíbrio político? Comecemos pelos novos números do INE sobre a população residente em Portugal. A revisão é muito significativa: Portugal ultrapassa agora os 11,4 milhões de residentes e a população estrangeira residente aproxima-se dos 1,6 milhões de pessoas, cerca de 14% do total. Mais do que uma correcção estatística, isto altera a forma como olhamos para a imigração, para os serviços públicos, para o mercado de trabalho e até para os indicadores per capita. Será que o facto de até aqui terem sido tomadas decisões quanto à Educação ou ao SNS, baseadas em dados errados dá algum espaço de manobra ao Governo para se adaptar à nova realidade? Na semana passada, a pretexto da Prestação Social Única, já aqui falámos bastante sobre a questão dos acordos e desacordos entre o Governo e a oposição. Entretanto, o Governo insiste que tem um parceiro preferencial e que PS e Chega têm uma responsabilidade equivalente nas próximas reformas e no Orçamento. E esta pergunta leva-nos directamente ao Orçamento. José Luís Carneiro não fecha a porta à viabilização, mas também não quer aparecer como muleta do Governo. Como é que o PS vai gerir esta magna questão? E como é que o Governo pode facilitar a aprovação do Orçamento? Há outra questão que pode mexer com o PS na altura de viabilizar, ou não, o Orçamento: o PS e José Luís Carneiro seguem embalados por mais uma sondagem positiva. O PS consolida a liderança, Carneiro tem aparecido bem avaliado na comparação para primeiro-ministro e há sinais de desgaste da AD. Mas a vantagem socialista não é necessariamente confortável e continua a haver um triângulo muito instável entre PS, Chega e AD. Será que estas sondagens já permitem dizer que José Luís Carneiro devolveu o PS ao centro do jogo político? E há um ponto curioso: uma das leituras das sondagens é que o chumbo da reforma laboral não penalizou o PS — pelo contrário, parece ter sido bem recebido por muitos eleitores. É caso para perguntar: basta dizer “não” ao Governo para recuperar terreno? Uma questão final para a mudança de liderança do Livre, que ocorreu esta semana: o que é que isto significa para o futuro que se funde e confunde tanto com Rui Tavares? Os minutos finais vão para o Público e Notório. See omnystudio.com/listener for privacy information.

    Tropeções do Governo ajudam Carneiro e cavaleiros orçamentais ajudam Montenegro

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