Bruno Gonçalves é natural de Braga e, nos intervalos de uma formação em Engenharia Mecânica, assumiu cargos de liderança na Juventude Socialista, foi membro do Conselho Nacional de Juventude, deputado da Assembleia Municipal de Braga e um dos vice-presidentes mais jovens da Internacional Socialista. Em 2024, foi eleito eurodeputado pelo Partido Socialista. Isto tudo antes de fazer 30 anos. Acaba ainda de lançar o movimento Bora sobre o discurso de ódio nas redes sociais. Tem mais de 96 mil seguidores no TikTok e 83 mil no Instagram. A presença digital foi a resposta directa ao crescimento dos populismos nestas plataformas digitais, reconhece o socialista, que é o 16.º convidado do podcast A Vida Não É o Que Aparece. “O espaço democrático – não digo só a esquerda, acho que é o espaço democrático moderado – estava completamente alheado de uma esfera da sociedade que é a esfera digital”, declara, defendendo: “É muito importante que, aconteça o que aconteça do ponto de vista da evolução tecnológica, a política não fique para trás. Porque, se não, vai parecer antiquada, vai parecer velha e vai parecer desactualizada”. Nesse ímpeto de levar a política às redes sociais e sobretudo aos mais jovens, apercebeu-se que o “discurso inflamado e reaccionário” é o que mais vende nestas plataformas. Foi daí que nasceu o movimento Bora, que levou a nove escolas secundárias debates sobre a polarização de temas como imigração, cultura de cancelamento, liberdade de expressão, privacidade online ou redes sociais e algoritmo, que serão partilhados em breve nas plataformas digitais. “O mais importante é ter a habilidade de conversar. E as redes sociais tiraram muito disso, porque uma pessoa que não quer perder três minutos a escrever um comentário com um conjunto de dados, não se inibe de escrever em três segundos o que acha desprezível naquela ideia, naquela pessoa ou naquele vídeo”, lamenta. É por isso que defende que deve haver “uma responsabilização maior” sobre o discurso de ódio nas redes sociais, apesar de não querer limitar a liberdade de expressão. “Gostava de replicar nas redes sociais o que se passa no mundo real. Os jovens quando estão a falar cara a cara têm muito mais espaço para a empatia. Só que eles raramente têm espaço e tempo para falarem uns com os outros.” É que, conclui, “a maior ilusão que [as redes sociais] nos vendem é que não há vida além delas, quando é exactamente o contrário”. Siga o podcast A Vida não É o Que Aparece e receba cada episódio semanalmente, à terça-feira, no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. See omnystudio.com/listener for privacy information.