Entre a ansiedade, a maternidade após os 40, a perimenopausa e o receio que regressa a cada rastreio do cancro da mama, Ana Markl protagoniza uma das conversas mais íntimas da nova temporada de Um Género de Conversa, onde fala também da síndrome do impostor e da quase perda do irmão. Conhecida do público pela rádio, televisão, livros e podcasts, Ana Markl revela uma faceta menos visível: a de alguém que continua a questionar-se e a desafiar-se. "O meu grande medo é cair no ridículo e achar que sou uma coisa que não sou", confessa. Mas há outro receio que atravessa a conversa: "O meu grande medo é acabar a vida sem fazer tudo o que me apetece fazer." Foi essa inquietação que a levou a voltar a estudar. Jornalista de formação, decidiu regressar à universidade para frequentar Psicologia, uma decisão que a própria explica ter surgido da vontade de compreender melhor os outros, mas também da busca de novas possibilidades para si própria. "Voltei a estudar aos 40 anos porque ainda queria mudar de vida", afirma. E resume o objectivo numa frase simples: "Quero ser livre." Ao longo de quase uma hora de conversa, Ana Markl fala ainda da maternidade e das expectativas que continuam a ser depositadas sobre as mulheres. "A maternidade não nos salva de nós próprias", afirma, numa reflexão sobre culpa, exigência e os desafios emocionais associados ao papel de mãe. Sem romantizações nem fórmulas mágicas, Ana Markl descreve também uma convivência diária com a ansiedade. "Ela nunca desaparece, aprendemos a viver com ela", diz, explicando a importância da terapia no reconhecimento de padrões de pensamento e comportamento. A conversa passa também pelo impacto do AVC sofrido pelo irmão, Nuno Markl, e pela forma como esse episódio reforçou um sentido de responsabilidade familiar que sempre sentiu. A perimenopausa ocupa igualmente um lugar de destaque neste episódio. Ana Markl descreve uma fase em que deixou de reconhecer a pessoa que era e critica a falta de informação em torno desta etapa da vida. "Se não fosse saber que a perimenopausa existia, eu era levada a crer que era um lixo", confessa, defendendo a necessidade de maior literacia e de preparação médica para acompanhar as mulheres neste processo. See omnystudio.com/listener for privacy information.